INSTRUMENTAL
(Eduardo Gudin)
ESTRELA DO NORTE
(Eduardo Gudin / J. C. Costa Netto)
Receba o calor da paixão,
estremece o meu coração.
Nesse palco se abrindo de luz
vou vibrar só de olhar pra você,
descobrindo o prazer de abraçar meu destino.
Cantar pode ser profissão,
só depende da nossa emoção.
Se você me quiser pra valer,
se eu puder, vou levar meu calor,
pois viver desse amor foi o que eu sempre quis, quis.
Estrela do norte, me ilumina,
eu quero bis, bis.
Estrela do norte, que contagia e faz feliz.
Veja lá, se eu for me aventurar
nunca vá serenar esse olhar que conduz,
veja lá, se eu tiver que chorar
Nunca vá desnortear quem seguiu sua luz.
Flores pra enfeitar seu caminho
é que o amor vai chegando,
a tristeza saindo.
Deus acho que quis me conquistar
quando fez a minha amada não demorar
e a mim que creio em nada, acreditar.
O que faz um homem mudar
é uma dor, um veneno de um olhar.
Depois o que faz acalmar
é um amor mais sereno, vem lá.
Flores...
O que faz um homem pensar
é o tempo que vem pra branquear,
cabelos de prata são ouro,
se o amor é um tesouro, guardar.
Flores...
O que faz um homem cantar
são as notas de um tempo musical.
Amor, alegria, tristeza, saudade
etc e tal.
Flores...
04- VERDE
(Eduardo Gudin / J. C. Costa Netto)
Quem pergunta por mim
já deve saber
do riso no fim,
de tanto sofrer
que eu não desisti
das minhas bandeiras,
caminhos, trincheiras da noite.
Eu que sempre apostei
na minha paixão,
guardei um país
no meu coração,
um foco de luz
seduz a razão,
de repente a visão da esperança!
Quis esse sonhador,
aprendiz de tanto suor,
ser feliz num gesto de amor,
meu país acendeu a cor.
Verde as matas no olhar,
ver de perto
ver de novo um lugar,
ver adiante
sede de navegar,
verdejantes tempos,
mudança dos ventos no meu coração.
NEO-BRASIL
(Eduardo Gudin)
Brasileiro como eu
quando o carnaval chegar,
tem o mundo pra sonhar
nas cores das escolas.
Brasileiro como eu
mede força desigual,
no samba de um planeta que encolheu.
Mesmo assim brilha porque
batem palmas pra valer,
pois é sempre um grande ator
no palco da comédia.
Todo ano o samba sai
são 500 pra inglês ver,
Darcy Ribeiro disse que eu sou mais.
Sim, eu sou brasileiro,
quem tem pena de mim?
É que eu sou mandigueiro,
é que eu vou rir no fim.
Eu sei, eu canto assim porque
o samba é como a vida,
é sempre alegre e triste ao mesmo tempo
e o seu lamento faz viver.
Brasileiro como eu
não tem jeito de mudar,
só precisa acreditar na noite das panelas,
um barulho de acordar
as pessoas que estão lá
por elas fica tudo como está.
PAULISTA
(Eduardo Gudin / J. C. Costa Netto)
Na Paulista os faróis já vão abrir
e um milhão de estrelas prontas pra invadir
os jardins,
onde agente aqueceu,
numa paixão,
manhãs frias de abril.
Se a avenida exilou seus casarões
quem reconstruiria nossas ilusões.
Me lembrei
de contar pra você, nessa canção,
que o amor conseguiu.
Você sabe quantas noites eu te procurei
nessas ruas onde andei,
conta onde passeia hoje esse seu olhar,
quantas fronteiras ele já cruzou
no mundo inteiro de uma só cidade.
Se os seus sonhos emigraram sem deixar
nem pedra sobre pedra
pra poder lembrar,
dou razão,
é difícl hospedar no coração
sentimentos assim.
ÂNGULOS
(Eduardo Gudin / Arrigo Barnabé / Caetano Veloso)
Curvas dos sapatos
espelhando esquinas,
números exatos
cortam-se na brisa.
Sóis luzem nos dentes,
você me diz
vamos parar.
Os ângulos retos
domam seus cabelos,
automóveis pretos
refletem sapatos.
Lábios quase opacos,
você me diz
vamos parar.
Na sua voz
passam tantas notas
que não param pra notar.
Dedos na mão
que dorme à sombra do momento,
contam tempos soltos pelo bar.
E o amor,
nuvem nos topos,
não encontra lagos.
A curva dos copos
reflete automóveis.
Olhos quase secos,
você me diz
vamos parar.
Lágrima no pelo
espelhando a nuvem,
álcool sobre o gelo,
nenhuma palavra.
Unhas sobre a louça,
você me diz
vamos parar.
OBRIGADO
(Eduardo Gudin)
Venho,
apesar desse resto de mágoa,
pra lhe dizer
obrigado a você
que já não me importa
se o amor foi de guerra ou de paz.
Meu caminho começa
onde o tempo começa a contar
quanto tempo faz.
Nada nas mãos
nem ao menos saudades
de uma canção,
mesmo assim é um prazer
saber que eu me sinto à vontade
pra lhe agradecer
pelas horas, mil horas num dia
mil dias, mil formas de se viver.
Ah! Por que solidão,
por que não prazer,
por que foi assim ou deixou de ser,
por que era calmo de enlouquecer.
Ou eram ventos mais violentos
de naufragar,
mesmo assim fomos contra a corrente
buscando algum porto
pra se chegar.
MORDAÇA
(Eduardo Gudin / Paulo César Pinheiro)
Tudo que mais nos uniu separou,
tudo que tudo exigiu renegou,
da mesma forma que quis recusou.
O que torna essa luta impossível e passiva
o mesmo alento que nos conduziu debandou,
tudo que tudo assumiu desandou,
tudo que se construiu desabou.
O que faz invencível a ação negativa
é provável que o tempo faça a ilusão recuar,
pois tudo é instável e irregular
e de repente o furor volta,
o interior todo se revolta
e faz nossa força se agigantar.
Mas só se a vida fluir sem se opor,
mas só se o tempo seguir sem se impor,
mas só se for seja lá como for.
O importante é que a nossa emoção sobreviva
e a felicidade amordace essa dor secular,
pois tudo no fundo é tão singular,
é resistir ao inexorável,
o coração fica insuperável
e pode em vida imortalizar
CANÇÃO SERENA
(Eduardo Gudin)
O meu amor não é mais
uma nascente de rio.
Meu coração já não faz desafios,
o meu amor não tem mais
traços pra ver seu perfil,
mas tem espaços maiores pra guardar
O grande amor, ele pode cuidar
de um grande amor quando está pra chegar,
querendo ouvir canções,
querendo despertar em busca de razões.
É preciso entender
que o tempo é o mestre de jeito de amar,
só ele pra dizer,
pra me serenizar
e o meu coração
saber que sabe amar.
LUZES DA MESMA LUZ
(Eduardo Gudin / Sérgio Natureza)
Nós,
almas tão irmãs,
gêmeas na paixão,
corpos que se dão
em busca de prazer.
Deve ser
o destino que cruzou
os nossos instintos pra fazer,
de tantos carinhos o porquê
da vida em comum.
Nós,
pétalas sem flor
pérolas de um mar
que ninguém nadou,
nos cabe navegar,
mergulhar,
descobrir o que é que há
no fundo mais fundo
em nosso ser.
Se quem naufragou
no bem querer
pode se salvar.
Pra onde irá?
Que barcos virão pra resgatar
os sobreviventes da ilusão,
no meio do mar da solidão?
Melhor nem pensar.
Cá estamos nós,
amor faça jus
a quem ame em paz,
luzes da mesma luz.
AINDA MAIS
(Eduardo Gudin / Paulinho da Viola)
Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
quando menos se quer,
uma desilusão assim,
faz a gente perder a fé
e ninguém é feliz, viu,
se o amor não lhe quer.
Mas enfim, como posso fingir
e pensar em você como um caso qualquer,
se entre nós tudo terminou
eu ainda não sei mulher.
E por mim não irei renunciar
antes de ver o que não vi em seu olhar,
antes que a derradeira chama que ficou
não queira mais queimar.
Vai, que toda verdade de um amor
o tempo traz.
Quem sabe um dia você volta para mim
e amando ainda mais.
APAIXONADA
(Eduardo Gudin / Aluízio Falcão)
Ela me diz
o que produz um sentimento,
onda feliz
corre no mar do pensamento.
Mágica, vertigem, lucidez,
calmaria, dor, insensatez.
Na conta do amor
todo errado fica certo
Ela não sabe
o que fazer pra ser querida,
mas quando é
desfaz a lógica da vida.
Vai ver uma lua de manhã,
dança toda nua com satã.
Na conta do amor
todo pecado fica lindo.
Rindo,
passa sua idéia,
canta,
agita a platéia.
Ai! Que bom te olhar
tão apaixonada,
deixa tua risada
solta pelo ar.
VELHO ATEU
(Eduardo Gudin / Roberto Riberti)
Um velho ateu,
um bêbado cantor, poeta,
na madrugada cantava essa canção-seresta.
Se eu fosse Deus
a vida bem que melhorava,
se eu fosse Deus
daria aos que não têm nada.
E toda janela fechava
pros versos que aquele poeta cantava,
talvez por medo das palavras
de um velho de mãos desarmadas.