ARCO-ÍRIS
(Fatima Guedes)
Fadas e gnomos,
todos os duendes de todas as matas,
todas as pedreiras, fios d´água, cachoeiras
outras cores do íris,
São segredo nosso,
quisera falar das ciosas que não posso.
Do que faz do ar, a brisa, e a brisa do vento
e o vento de ventania.
Essa magia,
essa força que comanda cada elemento,
é a poesia
de se recriar e de escolher o momento
De ser uma rosa,
e de ser o elfo que mora na rosa.
Ter um brilho intenso
como o sol e como o ouro
no final do arco-íris.
Eduardo Souto Netto: arranjo, regência, piano elétrico e acústico
Ary Passarollo: violão
Sizão: baixo
Paulinho Braga: bateria
Marcos Resende: prophet 5
Pareschi (Spalla), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Aizik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
FRAQUEZA
(Fatima Guedes)
Se eu um dia pedir pra voltar,
por favor não permita,
eu sei que vou ficar
ainda muito aflita,
a ponto de esquecer
que com você sofri bem mais.
Mas ainda que eu rasteje,
ainda que eu implore,
por melhor que eu pondere
ou por mais que eu chore,
me lembre o que já sei.
sua vida em nada vai mudar.
Foi errado demais esse amor,
é fraqueza demais eu voltar.
Se eu já peguei o vício da dor,
quero sofrer bem longe
de onde você está.
Fomos ambos parceiros
num crime que é o próprio castigo,
se eu não posso entender
a vida sem você,
se não pode ficar pra sempre
só comigo.
Eduardo Souto Netto: arranjo, regência, piano elétrico e acústico
Ary Passarollo: violão
Sizão: baixo
Paulinho Braga: bateria
Café (Tumbadora): percussão
Zé Nogueira: sax-soprano
Pareschi (Spalla), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Aizik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
PELO CANSAÇO
(Fatima Guedes)
Pior que não me querer mais
é não fazer questão,
deixando que eu vá embora
aos poucos.
Deixando que eu desista assim
sem briga ou discussão,
de quem já desistiu de mim
aos poucos.
Você sabe que o amor não é só
desesperança,
o amor não é toda
essa renúncia,
infelicidade cansa.
Então, pelo cansaço você consegue
que eu fique assim, tão entregue,
leve o teu desprezo
de lembrança.
Luiz Avellar: arranjo, regência, piano elétrico e sintetizador
Sizão: baixo
Ary Passarollo: violão
Paulinho Braga: bateria
Café e Paulinho Braga: percussão
Moisés: trombone
Nilton Rodrigues: trompete
Zé Nogueira: sax-soprano
Marquinho: sax-alto
NO FIM DA CASA (O QUARTO DO MEU AVÔ)
(Fatima Guedes)
O quarto do meu avô
já se sente um quarto de morto, já,
muito embora vivo ele esteja aqui
nem sabe quão morto ele vive lá.
O quarto do meu avô
tem uma cama que desarma.
Na mesinha um retrato e uma flor
que ele usa como arma.
E conta e reconta e torna a contar
os casos do tempo de moço.
Herói das horas do jantar,
o mesmo herói da história do almoço.
O quarto do meu avô
tem um velho armário enorme,
tão grande que inibe um sonhador
e ele nem cochila enquanto dorme.
O quarto do meu avô
tem a extensão que a noite corta.
Tão escuro que não se enxerga a dor,
tão profundo que não se abre a porta.
E reza e reveza a prece das seis
quem nunca foi religioso.
Agora é o que resta de um que foi três
Dos três, o mais laborioso
Quando ele veio pra nós
trouxe a viuvez no corpo de leão,
trouxe a mala aberta, orgulho aberto,
pijama, penico e carrilhão.
Luiz Avellar: arranjo, regência e piano
Sizão: baixo acústico
Café: bongô
Pinduca: Catuchal
Pareschi (Spalla), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Aizik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
A BAILARINA
(Fatima Guedes)
Gira a bailarina
na caixa de música.
Lívida menina
Rodando, rodando...
Num pequeno círculo
de ouro e de espelho,
escrava do delicado
mecanismo.
Pálida e suave
em seu bailado frívolo,
quantas vidas passa
dançando, dançando...
Com a orgulhosa pose
de uma estirpe distante,
finita num infinito
narcisismo.
Roda a bailarina
A sua sina de tonta,
Guardiã de jóias e segredos
de família.
Com a roupinha de balé,
com a sapatilha,
relíquia de passar
de mãe pra filha.
Ela se persegue
em seu passeio lúdico,
presa na caixinha
girando, girando, girando...
Luiz Avellar: piano
LÁPIS DE COR
(Fatima Guedes)
Com amor, lápis de cor,
desenhei uma casinha pra gente ir morar,
com fumaça na chaminé
e o sol a brilhar
no canto da página.
Com amor e lápis de cera
desenhei uma mangueira com uns passarinhos.
É difícil traçar bichinhos
sem saber desenhar,
mas eu tentei.
Plantei um jardim caprichado,
um pouco estilizado, diferente.
Pus uma cerca branquinha, embora
cerca nada tenha a ver com a gente
E foi tanto o meu empenho
que o tal do desenho estava lindo
com os pássaros cantando e o sol saindo
do canto da página
Eduardo Souto Netto: arranjo, regência, piano elétrico
Ary Passarollo: violão
Sizão: baixo
Paulinho Braga: bateria
Marcos Rezende: Profhet 5
Nathan: viola de 12
Pareschi (Spalla), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Aizik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
Dazinho: percussão
DESACOSTUMEI DE CARINHO
(Fatima Guedes)
Desacostumei de carinho
não pegue desse jeito em mim,
que eu passei tanta dor que ainda hoje guardo
uma semente ruim.
Apenas não em olhe assim
que eu tenho pronto um sorriso amigo,
que me defende do perigo
e guarda você de mim.
Desculpe, mas por dentro
eu sou tão machucada...
Eu nunca fui paixão de ninguém
e sempre a tola apaixonada.
Eu desacreditei de amor,
não pegue desse jeito em mim,
quem sabe eu passo pra você
minha semente ruim.
Gilson Peranzzeta: arranjo, regência, piano elétrico
Ary Passarollo: violão
Sizão: baixo
Paulinho Braga: bateria
Celso: flauta G
Nilton Rodrigues: fluegel
Zé Nogueira: sax-soprano
Pareschi (Spalla), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Aizik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
CELESTE
(Fatima Guedes)
Te compreendi no céu
porque és assim celeste.
Contei muitas estrelas,
andei pelos planetas
de onde vieste.
Hoje és na terra plantada
essa flor feita,
esse fruto maduro
pra colheita.
O aroma e o sabor
do que é divino.
Te compreendi no céu
e só assim seria,
pois de que outra forma
a tua natureza
me explicaria.
Como podes ser eterno
sendo pó
e mais de duas coisas
e uma só.
E tudo o que puder
teu pensamento.
Eu te encontrei no céu
porque ele é teu momento.
Gilson Peranzzeta: arranjo, regência e piano
Pareschi (Spalla), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Aizik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
BICHO MEDO
(Fatima Guedes)
Tira a roupa do vento, ó filha
de madrugada vem chuva.
Tira a roupa do vento, ó nega,
põe meu xale de viúva.
Mãe, por favor não me mande
no quintal a essa hora.
Vai sujar meu linho, ó filha,
tem que ser agora.
Tira a roupa do vento...
Eu tenho medo do bicho
Que o meu medo meu inventa.
E em noite de ventania
parece que o cão atenta...
É hoje, ai meu Deus do céu,
Meu coração se arrebenta...
Tira a roupa do vento...
Quando eu me mexo parece
que tem gente atrás de mim.
E essas folhas se roçando
é uma agonia sem fim.
Na minha cabeça passa
um bando de coisa ruim.
Eu fico escutando passos,
eu prendo a respiração.
Sai pensamento, sai fora,
Ai minha mãe, minha mãe,
que isso já, meu Deus, é hora
de assombração estar na cama.
Tira a roupa do vento...
Gilson Peranzzetta:: arranjo, regência, piano elétrico e acústico
Ary Piassarollo: violão
Sizão: baixo
Paulinho Braga: bateria
Café e Paulinho Braga: percussão
Sivuca (*) Copacabana Discos: acordeão
EU
(Fatima Guedes)
Eu sou uma voz, eu sou uma figura,
sou o meu sonho de o ver realizado.
Hoje eu descobri o mais incrível,
sou quase inacessível,
estou tão longe dessa estrela.
E um dia tem muitas horas,
muitas horas, muitas horas,
viver é esbarrar com elas e sentí-las.
No quarto, no espelho, no colchão
a minha solidão
não deixa que elas me toquem.
Estrela não tem luz própria,
quase ninguém sabe disso.
Eu sinto muita saudade do brilho dos meus amigos.
Sinto tanta falta de você,
se eu pudesse querer
queria você comigo.
Luiz Avellar: arranjo, regência e piano
Ary Piassarollo: violão
Sizão: baixo
Paulinho Braga: bateria
Zé Nogueira: sax-soprano
Nilton Rodrigues e Maurílio: fluegel
Ed Maciel e Macaxera: trombone
Pareschi (Spala), Vidal, José Lana, José Alves, Carlos Eduardo, Walter Hack, Alzik e Paschoal: violinos
Penteado e Macedo: violas
Alceu e Iura: cellos
Participação especial de Simone