MUITO PRAZER
(Fatima Guedes)
Muito prazer,
se você é novo no pedaço,
não precisa dar mais nem um passo,
chegou na hora certa.
Muito prazer,
você vai gostar dessa cidade.
Logo, logo faz muita amizade,
arma uma parada esperta.
Mas vou avisando: os nativos da ilha
são meio agitados com esse clima doido.
É porque chove é muita maravilha,
maremoto, tempestade,
mas muita tempestade de sol,
muito prazer, muito prazer, muita gente acontecendo.
Muito prazer...
Aqui só tá proibido uma coisa:
ficar sozinho e a multa é dançar comigo.
No resto aqui tudo é free de verdade.
Tudo o que você quiser
sou eu ou tá bem perto daqui,
tá logo aqui, muito prazer é logo aqui.
Luis Avelar: piano Rhodes, piano CP 70, OB-Xa, arranjo e regência
Jamil Joanes: baixo
Paulo Braga: bateria
Ricardo Silveira: guitarra
Ohana: bongô e pandeiro
Flávio Faria, José Luiz, Márcio Lott e Fernando Adour: coro e assobio
Bidinho: trompete
Don: trompete
Paulinho Trompete: trompete
Zé Carlos: sax-tenor
Leo gandelman: sax-barítono
Serginho Trombone: trombone
DOMINGUEIRA
(Fatima Guedes)
Deixei os pratos sujos na cozinha.
E o silêncio começa a incomodar.
Minha solidão passa o domingo,
Passa a vida inteira de peignoir.
Eu não sou do tipo da que se mata
pela simples falta de companhia.
Mas sem essa domingueira na TV
Acho que hoje eu não me suportaria.
Está passando um programa de calouros.
Todos tremem e cantam mal.
Eu me sinto igual
Ri o júri, ri o apresentador,
Eu também me rio hipnotizada
Olhando a caloura sair do palco
Cabisbaixa, humilhada...
Sou eu quem sai do palco humilhada.
Eu, da sala, até acho divertido
Me sentar em frente a TV ligada
Esperando a hora de ser gongada.
Linda pessoa,
você é assim amigo
é bom e eu gosto,
eu gosto.
Perto de você
tô sempre muito tão pra cima!
Você é
um licor que mora
num bombom de chocolate
e derrete na língua,
com o sabor de um disparate.
Que doido!
que me telefona
em qualquer hora muito louca.
Risada, bocejo...
Vou aí te dar um beijo agora.
Correr pro teu colo
E pendurar no teu pescoço,
eu posso, eu posso, eu posso.
Linda pessoa,
você faz muita falta
em toda coisa que eu faço
ou não faço.
Antonio Adolfo: piano Rhodes, piano CP 70, OB-Xa, arranjo e regência
Kiko: guitarra
Nando: baixo
Serginho: bateria
CORDAS*
ABSINTO
(Fatima Guedes)
Eu bebo
essas águas passadas
como um vinho,
que não há de voltar
do seu caminho
pra acabar com essa sede
que ainda sinto.
Um absinto
de mágoa, de insônia
e de saudade.
Como se enlouquecendo essa metade,
voltasse a metade
que foi contigo.
Eu bebo
quando fico assim desesperada.
Quem me dera ficar apaixonada
pra encontrar o outro lado
do moinho.
Eu me embriago
porque meu futuro
é muito vago.
Eu sinto a tua falta
do meu lado,
eu bebo tua ausência
de carinho.
Águas passadas,
que vinho amargo,
que gosto tão ruim.
Eu tenho sede,
eu tenho medo
do que será de mim.
Gilson Peranzzeta: piano Rhodes arranjo e regência
Arthur Maia: baixo
Helio Delmiro: violão e guitarra
Paulo Braga: bateria
Mauricio Einhorn: harmônica
MÚSICA MARINHA
(Fatima Guedes)
Vento da manhã,
vento de través
a empurrar-me para a praia que tu és.
Praia que tu és,
sal do vento leste
a levar-me até um sonho que tiveste.
O que haverá depois daquela ilha?
O que haverá depois daquela linha?
Música suave (música suave),
música marinha... ah, ah...
Música que és,
conhecer-te até
velejar-te pelo tempo que eu quiser.
Gilson Peranzzeta: piano Rhodes e arranjo
Arthur Maia: baixo
DEVE SER
(Fatima Guedes)
O amor deve ser bom,
deve ser.
Eu falo muito de amor
sem saber,
porque eu sei fazer rima,
eu sei fazer clima,
mas amar alguém,
talvez só você.
Se eu soubesse amar alguém
era você,
era um assim do jeito
que é você.
Meu herói favorito,
meu feioso bonito,
tô brincando de gostar
sem querer.
Sabe, eu nunca quis pensar
em futuro,
mas você foi feito
um tiro no escuro
que voltou pra mim
num ricochete,
tô carona num
rabo de foguete.
E agora o que que eu digo?
Será que eu vou pra Marte
e de lá te ligo?
Será que eu vou te amar
sem correr perigo?
Luis Avelar: piano Rhodes, piano CP 70, arranjo e regência
Sizão: baixo
Paulo Braga: bateria
Ricardo Silveira: guitarra
Ohana: pandeiro
Café: conga e bongô
Bidinho: trompete
Don: trompete
Paulinho Trompete: trompete
Zé Carlos: sax-tenor
Leo Gandelman: sax-barítono
Serginho Trombone: trombone
EU TE ODEIO
(Fatima Guedes)
Nem com você,
nem sem você...
O amor deve ser
qualquer coisa que eu não saiba.
O que quer que seja
me deixou completamente nua.
Um perfume,
um veneno.
Não se pode querer,
não se pode trazer de volta.
Seja o que for,
o que me penetra e depois me solta,
não pode esperar desculpa.
O amor me causou revolta.
O amor deve ser
a pergunta que não se faz,
uma dúvida que jamais
é saciada.
Eu não entendi nada.
Nada por mim,
nada sem mim...
É você me deixou
tão confusa e transtornada,
que hoje a coisa
mais firme que creio
é que eu te odeio
e é esse o ódio que eu mais choro:
eu te adoro, eu te adoro.
Luis Avelar: piano Rhodes, arranjo e regência
Sizão: baixo
CORDAS*
BLUE NOTE
(Filó e Fatima Guedes)
Parece que foi com Deus
que você aprendeu a tocar.
Ele deu o dom, o tom e um tema
pra você brincar.
E eu te amei fazendo música,
também eu faço música
e sei que improvisar
é morar por prazer,
com a solidão, por prazer.
Numa última janela
de um último andar,
com a cidade feia a seus pés,
e o som, e o céu, e o jazz...
Toca acima dessa cidade
o solo dos homens,
seis da tarde
no seu poema.
E abre os olhos,
e volta ao tema.
Luis Avelar: piano Rhodes, piano CP 70, OB-Xa, arranjo e regência
Jamil Joanes: baixo
Paulo Braga: bateria
Ricardo Silveira: guitarra
Ohana: Clave, afoxé, conga, pandeiro e ganzá
Café: castanhola, wind shine, afoxé e xequere
Zé Nogueira: sax-soprano
ÁGUA
(Fatima Guedes)
Água porque fala baixo,
água porque teu murmúrio
é um riacho,
e água me apazigua.
Água que corre em meu leito.
Água, enquanto esfria
o bico do meu peito.
Água é tua saliva.
E água me deixa limpa.
Presa em minhas mãos inutilmente, água.
A tão elementar de tão urgente, água.
Medo de morrer em ti,
sede de beber-te.
Água. Porque te desejo.
Chuva quando chove
é muito mais bonito.
Água porque não te vejo.
Água porque te acredito.
Gilson Peranzzeta: piano Rhodes
Luciano Alves: OB-Xa, moog-source, prophet 5
DA FAZENDA
(Fatima Guedes)
Foi pra respirar orvalho ainda
que eu puxei da cama bem cedo.
Pra molhar os pés no pasto úmido,
pra molhar os pés no pasto úmido.
Pra seguir na trilha dos currais,
o cheiro dos bichos no vento,
o cheiro da terra na manhã dos animais,
pela trilha afora, pelo mato adentro.
Eu ia pelo mato me arranhando o peito
colhendo umas coisas pra poder levar
pra minha casa.
A roça de algodão,
os moleques correndo, bodoque e pião,
o riacho ali logo,
um fruto temporão
e o ar de lá.
Antônio Adolfo: piano Rhodes, piano CP 70, arranjo e regência
Jamil Joanes: baixo
Kiko: guitarra
Serginho: bateria
Ohana: afoxé
Café: clave
Zé Nogueira: sax-soprano
CORDAS*
CORDAS***